| HISTÓRICO |
| METAS E OBJETIVOS |
| A Associação Cristã de Base (ACB) é uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins econômicos, fundada em 04 de julho de 1982, com a missão de contribuir para que a população empobrecida adquira os meios e os conhecimentos que a torne capaz de construir o seu próprio desenvolvimento sustentável. |
| São objetivos da ACB, prestar assessoria as organizações sindicais e comunitárias da Região do Cariri cearense, fortalecer a capacidade de organização e articulação da população excluída, lutar por uma sociedade igualitária pela justiça social e direitos fundamentais do homem, prestar assessoria nas áreas de educação popular, ambiental, planejamento, manejo e desenvolvimento sustentável na Biorregião do Araripe e outros, incentivar a preservação e combate ao processo de desertificação e degradação do Meio Ambiente. |
| METODOLOGIA |
| A metodologia posta em prática pela entidade é participativa, onde os beneficiários (as) são atores importantes e o seu saber é valorizado, ocorrendo assim à soma de saberes. Os técnicos (as) são facilitadores que usando dinâmicas apropriadas para as diversas temáticas, facilitam a construção de novos saberes. |
| Os Programas e Planos da Entidade são elaborados levando em consideração as propostas, solicitações, necessidades e anseios do público envolvido. |
| ORGANIZAÇÃO |
| A estrutura organizativa constitui-se de um Conselho Deliberativo, uma coordenação executiva com 03 membros (coordenador (a), secretario (a) e tesoureiro (a), duas secretárias (Educação para a Cidadania e Secretária de Produção Agrícola), que são unidades planejadoras e executoras das ações da entidade. |
| Possui sede própria com escritório equipado e uma equipe de trabalho com 16 profissionais, entre técnicos, administrativos e apoio. E tem uma área de atuação que abrange 18 municípios da Região do Cariri Cearense, atingindo diversas comunidades, com parceria com Federação das Associações Comunitárias, Sindicatos de trabalhadores Rurais, Organizações Governamentais e Não-Governamentais. |
| É reconhecida de Utilidade Pública Municipal Lei nº 1.364/89 de 23 de março de 1989, cadastrada no Cadastro de Entidades Ambientalistas – CNEA, Portaria nº 154 de 23 de julho de 2004 |
| ATUAÇÃO |
| Ao longo desses anos a ACB desenvolveu um trabalho de assessoria junto ao seu público alvo (associações comunitárias de pequenos produtores, de trabalhadores (as), grupos de jovens, de mulheres etc.) nas áreas de gestão, planejamento, avaliação, auto-estima, processo organizativo, gênero, juventude, produção e geração de renda, sistema agroflorestal, recursos hídricos e pesquisa. |
| As ações da ACB no primeiro momento foram voltados para o processo organizativo, orientando a legalização, elaboração e acompanhamento de projetos, de planos, relação de gênero, juventude. Com o crescimento do processo organizativo as ações da entidade passaram a ser organizadas através de encontros sistemáticos. Associações, grupos de jovens e mulheres, foram acompanhadas na perspectiva de encaminhamento de propostas conjuntas nas áreas de políticas públicas (municipais, estadual e nacional), além das iniciativas próprias dos grupos nos aspectos de geração de renda. |
| No aspecto produtivo rural trabalha-se a utilização de tecnologias apropriadas sensibilizando e orientando os agricultores (as) trabalhadores (as) rurais. |
| O acúmulo de informações e conhecimento permitiu que a entidade após um longo período de discussão de sua equipe técnica, cursos e visitas ao sistema agroflorestal do suíço Ernest Gostch em Pirai do Norte – Bahia tomou-se a decisão de trabalhar o desenvolvimento do sistema desde a sensibilização, a implantação e acompanhamento junto aos agricultores (as) por ser esse sistema que melhor recupera o solo e recompõe gradativamente a cobertura vegetal sem prejuízo aos agricultores (as). |
| A ACB vem assumindo a orientação sobre o sistema de forma integrada, com criação das casas de sementes, construção de barragens subterrâneas, criação de pequenos animais (aves, caprinos, suínos), apicultura e a comercialização dos produtos desse sistema que tem grande aceitação por serem produtos sem uso de adubos químicos ou agrotóxicos. |
| A comercialização vem sendo trabalhada junto à Feira Semanal de Produtos Orgânicos cuja produção é orientada dentro do sistema agroflorestal, contando com 18 feirantes (homens e mulheres) que vendem seus produtos, gerando uma relação nova entre produtores (as) e consumidores (as). A experiência tem demonstrado um aprendizado fantástico, satisfazendo os consumidores (as) e aumentando a renda familiar dos agricultores (as) e levantando a auto-estima das famílias envolvidas. |
| A comercialização dos produtos agroecológicos oriundos da agrofloresta está embasada na pesquisa de mercado agroecológico realizada pela ACB, publicado em livro em 2004. |
| Entre os resultados da ação da ACB na Região do Cariri destaca-se o Fórum Araripense de Preservação e Combate a Desertificação do Biorregião do Araripe, com abrangência na Região Cariri - Ceará, Pernambuco e Piauí. Criado em 1999 vem se desenvolvendo e sendo o espaço de discussão e proposição de políticas públicas e também de questionamento na Região do Cariri. Esse Fórum hoje é responsável pela articulação, discussão e funcionamento do P1MC – Projeto Um Milhão de Cisternas no semi-árido, articulado com o Fórum Cearense pela Vida no Semi-Árido e Fórum Araripense de Prevenção e Combate a Desertificação. |
| A ação da ACB tem se dado também no campo da pesquisa e elaboração, destacando-se a pesquisa sócio-econômica e conclusão da elaboração do Plano de Manejo da Floresta Nacional do Araripe – Flona em convênio com o IBAMA. |
| APOIOS E PARCERIAS |
| A ACB contou com o apoio da Broederlijk Delen, que por 9 anos financiou suas ações através do Projeto de Desenvolvimento e Promoção Humano e Capacitação Integrada finalizando no ano de 2005. |
| Ao longo desses anos foi também apoiada por entidades financiadoras como IAF (Inter-America Fundation) com o Projeto de Tecnologias Alternativas, DED (Serviço de Cooperação Técnica Alemã) que garantiu o financiamento de um técnico durante 9 anos. |
| Trabalhou a capacitação dos agricultores (as) das frentes de emergência de 06 municípios da Região do Cariri, em convenio com o CETRA-Fortaleza, projeto financiado na época pela Sudene. |
| Em parceria com a FETRAECE (Federação dos Trabalhadores (as) na Agricultura do Estado do Ceará), trabalhou vários cursos na Região e no Estado capacitando em desenvolvimento rural sustentável. Realizou uma parceria entre INCRA / SEBRAE / FETRAECE / ACB que garantiu assessoria técnica, social e agrícola em 5 assentamentos da Reforma Agrária no Ceará. |
| O Programa de Formação e Mobilização Social para a convivência com o Semi-Árido: Um milhão de Cisternas (P1MC) tem sido trabalhado pela ACB, com abrangência em 10 municípios da Região do Cariri como Entidade executora, passando a ser Unidade Gestora (UGM). A realização desse trabalho tem gerado um elenco de parcerias importantes na Região do Cariri e tem dado uma nova dinâmica às questões ambientais por parte do público alvo, aspectos produtivos (agricultura), meio ambiente, recursos hídricos. |
| Solicitada pelo Programa Biodiversidade Brasil Itália (PBBI – Projeto Araripe) realizou um estudo intitulado “Estudo mercadológico de produtos agrícolas e da biodiversidade florestal da região do Araripe” e vem sendo um parceiro estratégico na execução das atividades na região. |
| Realizou outro estudo, intitulado o “Estudo mercadológico com espécies florestais de importância econômica na Chapada do Araripe – Janaguba, Mangaba e Cambuí”, financiado através de uma parceria com o Banco do Nordeste do Brasil. |
| COMUNICAÇÃO |
| Para socializar os resultados de sua ação junto ao seu público alvo, parceiros, sociedade, criou o “Informativo Agroflorestal”, veículo impresso de circulação trimestral, de materiais publicitários de apresentação e melhoramento visual dos projetos, além de um site onde estão contidas todas as informações históricas e atuais da entidade. |
| Cronograma dos 26 anos |
| Durante mais de duas décadas a ACB vem trabalhando com as comunidades rurais a organização, adaptação e aceitação das tecnologias, geração de renda e o convencimento e o treinamento do/a pequeno/a agricultor/a ao sistema de agrofloresta. São cursos, treinamentos, assessoria técnica e acompanhamento, que vem mudando a vida e a cultura do/a agricultor/a do entorno da chapada do Araripe, região do Cariri cearense. Veja abaixo quando se iniciou cada etapa desse trabalho: |
(1982 - 1984) Processo organizativo de associações e grupos de jovens e mulheres |
| Durante esse período, a ACB trabalhou a mobilização de grupos como associações e sindicatos. O objetivo era o desenvolvimento das comunidades através do conhecimento acerca da atuação no meio em que se inseriam. |
| A maior parte do trabalho era feita de forma voluntária. Não existia nenhuma estrutura física. A entidade tinha apenas um grupo de pessoas que se deslocavam até as comunidades onde realizavam reuniões e encontros. O grupo se reunia periodicamente para avaliar e planejar. |
| Foi nesse período também a efetivação do primeiro financiamento para um projeto desenvolvido pela ACB. A OXFAM (Fundação OXFORD Internacional) financiou os cursos de organização e legalização das associações e grupos, com enfoque especial às mulheres. |
(1984 - 1991) Tecnologias alternativas |
| Além da organização e legalização dos grupos, a entidade foi atendendo a outras solicitações desses grupos. As tecnologias alternativas foram trabalhadas, nessa época, principalmente, nas partes de sensibilização e difusão, junto aos grupos e organizações. Eram trabalhados também, os aspectos de organização, capacitação e de legalização; sempre de forma intensa. |
| O projeto de parceria com o CESE/Bahia sobre o perfil da agricultura e dos agricultores/as na área de atuação da ACB, oportunizou o redirecionamento da entidade. |
| Neste mesmo período, a entidade conseguiu o apoio financeiro junto a entidade Belga Broderlijk Delen (campanha de quaresma da Bélgica) para trabalhar com sindicatos de trabalhadores rurais. A parceria tinha previsão de duração de três anos. |
| Outros projetos de sucesso encabeçados pela ACB vieram. Foi viabilizado o melhoramento da estrutura física da entidade através da aquisição de um veículo e a garantia de remuneração de parte da equipe técnica, ambos financiados pela Fundação Inter Americana (IAF). A execução de um projeto com ações específicas junto a grupos de mulheres, onde se começou a trabalhar a geração de renda, levaram a entidade a desenvolver melhor os grupos já acompanhados. Foram executados pequenos projetos junto ao Fundo de Apoio a Pequenos Projetos Produtivos. O apoio financeiro partiu da Broderlijk Delen. |
(1991 - 1996) Geração de renda |
| O início desse período foi de muita dificuldade. A ausência de recursos financeiros inviabilizava a execução de novos projetos. A partir de 92, com a divulgação dos projetos já desenvolvidos, houve um aumento de visibilidade da entidade entre outras entidades e órgãos, surgindo daí novas propostas de parcerias, como: |
| - Projeto Sertão: desenvolvido em parceria com o ESPLAR-Fortaleza e o Ministério Agrário Alemão, o projeto trabalhou a captação de água a partir da construção de barragens subterrâneas, açudes, cacimbas e das primeiras cisternas de placas na região do Cariri. |
| - A equipe foi ampliada. E com a parceria do Serviço de Cooperação Técnica Alemã (DED), foi viabilizado a contratação de um agrônomo por nove anos. Nesse período a ACB foi contratada para fazer três avaliações externas de projetos nos estados do Ceará, Pernambuco e Bahia. |
| - A parceria com a Broderlijk Delen foi intensificada com o projeto de Capacitação Integrada que oportunizou a qualificação da equipe e, conseqüentemente, dos agricultores/as sobre o Sistema Agroflorestal Integrado. Os resultados foram significativos, tanto do ponto de vista da produção, como da recuperação de solos e do meio-ambiente. |
(1996) Agrofloresta |
| A partir de 1996, as parcerias foram intensificadas e com elas surgiram contribuições significativas como o Fórum Araripense de Preservação e Combate a Desertificação, que congrega órgãos públicos, entidades representativas, ONGs, Igrejas e pessoas da sociedade civil. |
| O Plano de Manejo da Floresta Nacional do Araripe (FLONA), em convênio com o Ibama, oportunizou uma visão mais ampla por parte da sociedade em relação a Associação Cristã de Base – ACB. |